O deputado federal João Correia (PMDB-AC), um dos mais destacados membros da ala oposicionista do partido ao governo Lula, fez pronunciamento na Câmara, abordando matéria da Revista Veja, que acusa deputados governistas do PMDB de terem sido aliciados pelo mensalão. O deputado acreano, ainda, denunciou o que ele chamou de "triunfo do mensalão," se referindo a absolvição, pelo plenário, de deputados acusados, pelo Conselho de Ética, de receberem propina de Marcos Valério.
Veja os principais pontos do discurso de Correia:
"Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, não posso negar o meu constrangimento, o meu desconforto com o que direi agora, não apenas com o triunfo do mensalão, mas de algo que me é muito caro, o PMDB, o MDB. Falarei em meu nome porque não posso falar pelo partido, na medida em que ele não optou em vir à luz do dia dar uma resposta à sociedade de acusação que lhe foi feita. Preferiu, ao que me parece, a tática do avestruz: enfiar a cabeça na areia e ignorar o mundo que o circunda."
"A revista faz uma gravíssima acusação ao dizer que o Sr. Marcos Valério negociou com o Sr. José Borba, então Líder do PMDB, a indicação de um Relator para proteger o criminoso Marcos Valério. Graças a Deus, o Relator indicado foi o Deputado Osmar Serraglio, este, sim, razão de orgulho para os peemedebistas; razão de orgulho para todos os homens e mulheres de bem deste País."
"A acusação mais grave divulgada pela revista Veja é a de que o Sr. José Borba teria subornado 55 Deputados do PMDB da base governista. Isso é muito grave! O meu partido não pode engolir isso como um avestruz, com covardia. Não aceito esse acinte, esse achincalhe. A bancada governista do PMDB e o partido no seu conjunto têm a obrigação de exigir uma investigação profunda e precisa para que a honra dos peemedebistas de todo o Brasil não chafurde na lama do mensalão."
"Não aceito isso! Quero em meu nome pessoal dizer que o PMDB do Acre, graças a Deus, é soberano, não anda agachado, não anda olhando para baixo, não anda com medo e não aceita essa ignomínia, que não sei até onde vai"
"Sr. Presidente, quero apenas registrar minha irresignação e repulsa por essa ação, que precisa ser explicada pelo meu partido ao Brasil, em primeiro lugar, mas especialmente aos seus filiados e simpatizantes, que precisam de uma gestão capaz de honrar o seu tamanho, sua glória, sua história e, quem sabe, até seu próprio futuro."